Com a simpatia de sempre, Ariano Suassuna proferiu sua aula-espetáculo (nunca trocar por aula-show) versando sobre os diversos temas que giram em torno da cultura brasileira, de suas raízes e da nossa identidade cultural. Tratou de música, dança, herança indígena e afro-descendente. Na palestra, exibiu vídeos de manifestações culturais que, para ele, são essenciais na compreensão da cultura nacional.
Contador de histórias como sempre, Ariano conversou sobre sua infância, contou "causos", sempre com bom humor. Crítico, como sempre, em relação ao que ele considera "ruim" para a Cultura e, principalmente, a nacional, o escritor de O Auto da Compadecida, alfinetou a banda Calypso na sua palestra.
O público saiu encantado da aula-espetáculo, que terminou por volta de 21:15. Foi o caso da estudante Jéssica Soares, que disse que Ariano é "muito firme em suas convicções sobre a cultura do nosso país". O que é muito importante em um país com tanto a oferecer. "Os jovens têm que ter acesso a todas as formas e saberes culturais que o país do porte do Brasil contém", disse Jéssica, concordando com as posições de Suassuna.
O Contador de Histórias
Ariano Suassuna nasceu na Paraíba, em 1927. É poeta, dramaturgo, romancista e ferrenho defensor da cultura popular brasileira. Escreveu obras de teatro famosas como O Santo e a Porca (1957), O Casamento Suspeitoso (1957), O Auto da Compadecida (1955) e o O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971). As duas últimas adaptadas para TV pela Rede Globo, e tornaram o autor conhecido do grande público, não apenas em meios eruditos. Atualmente, ele ocupa a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras.
Uma figura, sem dúvida, emblemática na nossa cultura. Suas opiniões a respeito da americanização da cultura, dos estrangerismos e das viagens de avião são conhecidas de todos. Para quem não viu a aula-espetáculo, resta torcer para que ele volte à Fortaleza em breve, pois é certo que ele não está no twitter.