domingo, 6 de dezembro de 2009

Entrevista: Bonecas da Barra

Com um Rock n’Roll irreverente e enérgico, a banda Bonecas da Barra surgiu em 2007, e é, atualmente, um nome conhecido dentro do cenário da música independente da capital.

Formada por Glauco King (vocais), André Ressaca (guitarra), Victor Bubu (guitarra), Felipe Sapo (baixo) e Rafael Sobral (bateria), o grupo toca vestido de mulher. Suas músicas falam do cotidiano e da vida desses garotos da Barra do Ceará.



Em entrevista, a banda falou do seu surgimento, influências e da música independente em Fortaleza. Confira:


1) Como e quando começou a banda? Como surgiu o projeto Barra Dolls, que depois se tornou a Bonecas da Barra?

As Bonecas da Barra sugiram a partir do fim da Barra Dolls, a gente estudava no mesmo colégio, e no ano de 2004 o Glauco (vocalista) teve a idéia de fundar o Barra Dolls inspirado na banda New York Dolls e com letras que tratavam da vivência na Barra do Ceará. Já no final do ano de 2006, a Barra Dolls acaba, e a gente resolve voltar com o nome de Bonecas da Barra, isso no início de 2007, com a sonoridade mais voltada para o Rock’ n’ roll.

2) Quais as influências musicais da banda?

A influência vem desde o rock da década de 50, como Chuck Berry, Elvis Presley. Passando para a década de 60 com as bandas britânicas Beatles e Rolling Stones. E com o visual e a sonoridade do Glam Rock de bandas como New York Dolls e David Bowie.

3) Como surgiu a proposta de fazer a banda com essa identidade que ela tem hoje?

A gente sempre gostou da irreverência do Rock n’ roll, da diversão que ele provoca. E nada mais irreverente do que cinco rapazes tocando rock vestido de garotas. E associar essa diversão e irreverência do Rock n’ Roll com o local que a gente mora, que no caso é a Barra do Ceará. Dando uma grande sintonia entre o visual, a performance, as letras e a música.





4) Como vocês vêem o espaço da música independente em Fortaleza?

Fortaleza é muito fechada para a música independente, ainda mais sendo do nosso estilo. Mas existem pessoas que ainda acreditam na cena independente, e, graça a essas pessoas, a música independente ainda vive em Fortaleza.

5) Como é ser uma banda independente em Fortaleza? Quais são principais dificuldades?

Existem muitas dificuldades para as bandas independentes. Existem pouquíssimos locais para se tocar aqui em Fortaleza. Existe uma grande valorização do gênero Forró e se dá muito pouco espaço para as bandas que querem seguir o caminho do Rock n´roll.

Por isso muitas vezes a gente tem que se virar com o que tem, organizando nossos próprios shows, juntando com outras bandas independentes para organizar festivais. Uma banda vai ajudando a outra. E assim a cena independente vai se movimentando e se fortalecendo.

6) Que tipo de música vocês estão escutando atualmente?

Ultimamente a gente tem escutado muito Rolling Stones, The Kinks, MC5 e Johnny Thunders.


7) Onde vocês se apresentam mais? Onde há mais espaço para a música independente em Fortaleza?

Um local que tem aberto muito as portas para a gente é o BNB (Centro Cultural Banco do Nordeste). O BNB está dando uma ótima oportunidade para as bandas independentes com o Rock Cordel, que acontece todo começo de ano. Existem festivais que abrem as portas para as bandas locais, como o Panela Rock, os eventos que acontecem no Bom Mix e os festivais de bairro organizados pela a galera das bandas.

8) Quais os planos da banda para 2010?

Nossa meta para 2010 é gravar o disco, e, depois de lançar, começar a divulgação.






AGENDA: a Bonecas da Barra se apresenta no dia 11/12, no Campus do Itaperi, na UECE, na calourada de encerramento da Semana da Cultura do Serviço Social. A calourada está marcada para as 18 horas.
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Dia Nacional do Bumba Meu Boi


O Governo instituiu nesta terça-feira, 1° de dezembro, o Dia Nacional do Bumba Meu Boi para 30 de junho.
Registrada no Diário Oficial, a data homenageará um dos folguedos mais populares do Brasil.
Representado em vários estados, é uma mistura de influências das culturas européia, africana e indígena.
Em cada região tem sua peculiaridade e envolve pessoas de diferentes faixas etárias.
O documento mais antigo que fala a respeito do Bumba Meu Boi foi escrito pelo padre Miguel do Sacramento Lopes Gama, em 1791, num jornal de Recife.


O festejo representa a lenda da ressuscitação de um boi que não deveria ter morrido. Quando volta a viver e percebe que todos brincam e cantam ao seu redor, fica furioso e começa a enfrentar as pessoas. O Boi-bumbá, entre outras denominações do personagem, é o pivô da celebração.
Segundo o Abrassofa.org, "o folguedo é a característica das críticas à sociedade, ridicularizando de várias formas os desajustes sociais, as desavenças e os poderosos do local, onde ele se realiza."

Por que 30 de junho?

Este é o Dia de São Marçal, venerado no Maranhão e celebrado com fogueiras no úlitmo dia de junho.
A lei foi proposta pelo deputado federal Carlos Brandão (PSDB-MA) e teve como relator o também deputado federal Pinto Itamaraty (PSDB-MA).



Mais sobre o Bumba...















E visite o Brazilsite: http://www.brazilsite.com.br/teatro/teat02a.htm
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sábado, 5 de dezembro de 2009

II Festival de Cultura UFC: entrevista Khrystal

Durante a cobertura do II Festival de Cultura da Universidade Federal do Ceará, entrevistamos uma das atrações, a cantora Khrystal. Com uma carreira de 9 anos fundada no trabalho em palco, a interprete tem influências que vão desde o rock até o côco do Rio Grande do Norte.

Quando perguntada sobre as suas variadas inflûencias a cantora remete à cena musical do seu estado "É como dizem: o Rio Grande do Norte é a esquina do continente, e por uma esquina se passa de tudo, lá tem gente que compôe blues, que faz rock, que faz música eletrônica, a galera do choro, do samba, e todos se deixaram seduzir por isso, o que eu acho muito saudável"

No seu primeiro álbum "Coisa de Preto" lançado em maio de 2009, Khrystal interpreta vários artistas, contemporâneos ou não, fazendo uma ligação com o côco, ritmo tradicionalmente potiguar. Sobre a escolha do côco como base para o primeiro disco a cantora afirma que o seu álbum "não é um disco essencialmente de côco, é um disco meu com um olhar em cima do côco".

A cantora participou do programa Som Brasil da TV Globo, interpretando músicas de Alceu Valença, de quem recebeu o contive pra participar do seu filme "Luneta Mágica" que contano elenco a atriz Hermila Guedes. Khrystal falou um pouco sobre o longa-metragem e o sobre trabalhar com Hermila Guedes "O filme tem todo esse clima do nordeste, é uma espécie de musical nordestino, todo baseado em literatura de cordel" "O meu papel é de uma cangaceira chamada Nair Brilhante Ferreira, o de Hermila é Maria Bonita, e Nair Ferreira é a melhor amiga de Maria Bonita, então a gente tá sempre junta nas locações, está sendo ótimo"

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Segue abaixo um vídeo com os melhores momentos da entrevista, feita para a equipe do site Panz&Pimba


E os vídeos da participação de Khrystal no programa Som Brasil interpretando Alceu Valença




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sexta-feira, 27 de novembro de 2009






Visitamos a Exposição Massafeira Livre, ocorrida na última semana na Universidade Estadual do Ceará. No Massafeira Livre, houve a participação de artistas como Ednardo, Fagner e Patativa do Assaré."...No intuito de ocupar espaços no mercado fonográfico e garantir sua profissionalização, surge no Ceará uma nova safra de compositores também disposta a enfrentar as dificuldades encontradas na carreira artística.

No ano de 1979, essas tendências uniram-se através de um movimento musical que aglutinando todos os processos de criação, compositores, músicos e intérpretes, emergiu como um momento de renovação e ampliação dos espaços musicais. Tendo como produtor geral Ednardo e como coordenador Augusto Pontes, o movimento da Massafeira-Livre reuniu no Teatro José de Alencar em Fortaleza entre os dias quinze e dezoito de março de 1979, mais de duas centenas de artistas cearenses numa verdadeira confraternização musical.
Ednardo, produtor do evento, situa a importância do movimento:
"Guardadas as devidas proporções, o "Massa-Feira" é um projeto coletivo tão importante como a Semana de 22 ou o tropicalismo. Há toda uma proposta estética nova ali, um projeto coletivo."
Produções
O movimento culminou com a gravação de um álbum duplo na Épic Gravadora CBS-Rio sob a direção artística, produção e estúdio de Ednardo, uma co-produção uma co-produção de Augusto Pontes e com a coordenação musical de Rodger Rogério, Petrúcio Maia e Stélio Valle.
O movimento da MassaFeira realmente abriu um novo ciclo da música popular cearense. Os compositores saídos desse movimento, diferentemente do que ocorreu com o Pessoal do Ceará dos anos sessenta, não sentiram a necessidade de migrar para o eixo Rio-São Paulo. "
Trecho acima retirado do livro "Terral dos Sonhos"- de Mary Pimentel -2a ed. Fortaleza, Banco do Nordeste do Brasil/Gráfica e Ed Arte Brasil.




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Ariano Suassuna lota Cine São Luís e encanta fortalezenses

Todas as cadeiras do Cine São Luís lotadas, pessoas sentadas no chão, outras de pé. Tudo isso para não perder Ariano Suassuna, que esteve em Fortaleza na última quinta-feira (26), por razão do encerramento da 11ª Mostra Sesc Cariri de Cultura.

Com a simpatia de sempre, Ariano Suassuna proferiu sua aula-espetáculo (nunca trocar por aula-show) versando sobre os diversos temas que giram em torno da cultura brasileira, de suas raízes e da nossa identidade cultural. Tratou de música, dança, herança indígena e afro-descendente. Na palestra, exibiu vídeos de manifestações culturais que, para ele, são essenciais na compreensão da cultura nacional.


Contador de histórias como sempre, Ariano conversou sobre sua infância, contou "causos", sempre com bom humor. Crítico, como sempre, em relação ao que ele considera "ruim" para a Cultura e, principalmente, a nacional, o escritor de O Auto da Compadecida, alfinetou a banda Calypso na sua palestra.

O público saiu encantado da aula-espetáculo, que terminou por volta de 21:15. Foi o caso da estudante Jéssica Soares, que disse que Ariano é "muito firme em suas convicções sobre a cultura do nosso país". O que é muito importante em um país com tanto a oferecer. "Os jovens têm que ter acesso a todas as formas e saberes culturais que o país do porte do Brasil contém", disse Jéssica, concordando com as posições de Suassuna.


O Contador de Histórias


Ariano Suassuna nasceu na Paraíba, em 1927. É poeta, dramaturgo, romancista e ferrenho defensor da cultura popular brasileira. Escreveu obras de teatro famosas como O Santo e a Porca (1957), O Casamento Suspeitoso (1957), O Auto da Compadecida (1955) e o O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971). As duas últimas adaptadas para TV pela Rede Globo, e tornaram o autor conhecido do grande público, não apenas em meios eruditos. Atualmente, ele ocupa a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras.

Uma figura, sem dúvida, emblemática na nossa cultura. Suas opiniões a respeito da americanização da cultura, dos estrangerismos e das viagens de avião são conhecidas de todos. Para quem não viu a aula-espetáculo, resta torcer para que ele volte à Fortaleza em breve, pois é certo que ele não está no twitter.
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Programe-se: Bonecas da Barra e Batucada Elétrica no BNB

A partir de quarta feira duas atrações irão agitar o Centro Cultural Banco do Nordeste: as bandas Bonecas da Barra e Batucada Elétrica de Hoto Jr se apresentam nesta quarta e quinta feira (24 e 25) fechando a programação cultural do Centro no mês novembro.

Se apresentando desde 2006, a banda Bonecas da Barra já se consagrou no cenário local sendo conhecida por suas apresentações cheias de energia e irreverência.


Já a Batucada Elétrica do percussionista Hoto Jr promete não deixar ninguem parado ao som de uma mistura de ritmos que vão desde o funk até o maracatu.

Bit+
Confira abaixo um vídeo da apresentação da banda Bonecas da Barra no programa Noite&Cia da Tv Diário.


E também o vídeo da apresentação da banda Batucada Elétrica de Hoto Jr no BNB



Conheça um pouco mais do trabalho destas bandas nos endereços:
Batucada Elétrica de Hoto Jr> http://www.myspace.com/503711498
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Morre Herbert Richers


Morreu nesta sexta-feira (20) o produtor de cinema Herbert Richers. O produtor é conhecido pela frase “versão brasileira Herbert Richers”, que nós tanto ouvimos no começo da sessão da tarde, sem saber, afinal, quem era Herbert Richers. O corpo será velado esta tarde no Memorial do Carmo, na Zona Portuária do Rio, e será cremado no sábado (21).

Nascido em Araraquara, São Paulo, o produtor estava com 86 e sofria de problemas nos rins. Sua empresa foi uma das pioneiras em dublagem no Brasil. Trabalhou como produtor de cinema nos anos 50, época em que o cinema brasileiro crescia e se estruturava. Segundo a Folha de São Paulo o produtor era amigo pessoal de Walt Disney, que o apresentou ao sistema de dublagens.

O diretor da rede Globo Boninho, amigo de Herbert Richards, lamentou a morte doamigo erm seu twitter: ""Hoje se foi uma parte da história da TV brasileira. Nos deixou Herbert Richers, considerado o dono do melhor estúdio de dublagem do mundo", escreveu ele.

Curioso é que apenas depois de sua morte que viemos conhecer seu rosto. Muita gente não sabia sequer se ele era realmente brasileiro. Uma pena para o cinema e para a televisão brasileira.
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domingo, 15 de novembro de 2009

Exposição Massafeira Livre - 30 anos


Nesta segunda feira (16) será inaugurada  na Universidade Estadual do Ceará (Campus do Itapery) a Exposição Massafeira Livre - 30, na qual ocorrerão palestras, oficinas e exibição de objetos relacionados ao festival, ocorrido no fim da década de 70 e que contou com a participação de ícones da cultura popular cearense como Fagner, Ednardo e Patativa do Assaré.

O evento é organizado pelos estudantes do curso de história da Uece que participaram do Curso de Extensão em Introdução a Museologia ministrado por Michel Platini, diretor técnico do Museu da Imagem e do Som, e ocorrerá até a próxima sexta (20) quando será encerrada a exposição com a apresentação da banda Zás, que tocará as músicas do álbum Massafeira.

Mais informações no site: http://massafeiralivre.blogspot.com/

Ou no orkut: Comunidade - Perfil

Em breve o BitCordel trará a cobertura completa da exposição.
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sábado, 14 de novembro de 2009

Cante lá, que eu canto cá

O Centenário de Patativa não poderia deixar de ser destaque no BitCordel.

O poema
Cante lá, que eu canto cá valoriza o sertão e a vida simples,
tão ou mais lecionadora que a cultura intelectualizada do homem urbano.

Aqui vai o vídeo dos versos cantados pela Cia do Tijolo. Confira o poema na íntegra no blog Poemia.



 
Cante lá, que eu canto cá

Poeta, cantô de rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.

Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisá
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá.

Você teve inducação,
Aprendeu munta ciença,
Mas das coisa do sertão
Não tem boa esperiença.
Nunca fez uma paioça,
Nunca trabaiou na roça,
Não pode conhecê bem,
Pois nesta penosa vida,
Só quem provou da comida
Sabe o gosto que ela tem.

Pra gente cantá o sertão,
Precisa nele morá,
Tê armoço de fejão
E a janta de mucunzá,
Vivê pobre, sem dinhêro,
Socado dentro do mato,
De apragata currelepe,
Pisando inriba do estrepe,
Brocando a unha-de-gato.

Você é muito ditoso,
Sabe lê, sabe escrevê,
Pois vá cantando o seu gozo,
Que eu canto meu padecê.
Inquanto a felicidade
Você canta na cidade,
Cá no sertão eu infrento
A fome, a dô e a misera.
Pra sê poeta divera,
Precisa tê sofrimento.


Patativa de Assaré/Antônio Gonçalves da Silva
Do livro: "Cante lá, que Eu Canto cá", Ed. Vozes, 1978, RJ


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